Responsáveis por escola infantil são presas sob suspeita de sedar crianças em Alvorada
- William Barreto

- 22 minutes ago
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Investigação aponta uso de medicamentos sem prescrição para manter alunos de dois a cinco anos dopados; Justiça vê risco à ordem pública e à instrução do processo

Duas mulheres que administravam e atuavam como professoras em uma escola de educação infantil em Alvorada foram presas preventivamente nesta terça-feira (3), suspeitas de sedar crianças sem prescrição médica e submetê-las a agressões físicas e psicológicas. As ordens judiciais foram cumpridas em Alvorada e em Canoas.
A operação foi conduzida pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, com atuação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e apoio da Brigada Militar. O caso foi batizado de “Operação Dose de Silêncio”.
A investigação teve início após mães de alunos procurarem a polícia ao relatarem mudanças bruscas de comportamento nas crianças. A partir das denúncias, foram colhidos depoimentos, analisadas conversas entre funcionárias e reunidos registros audiovisuais.
Segundo a promotora de Justiça Karen Mallmann, responsável pelo caso, a prisão foi solicitada diante da gravidade concreta dos fatos. “Os crimes foram cometidos contra crianças de tenra idade, cujos pais confiaram seus cuidados à escola. Para facilitar o manejo dos alunos, as investigadas ministravam medicamentos com efeito sedativo”, afirmou.
De acordo com o inquérito, crianças de dois a cinco anos teriam recebido medicamentos sem prescrição médica, alguns deles destinados a outros alunos. Há ainda indícios de negligência nos cuidados básicos de higiene e alimentação, imposição de castigos e condutas consideradas degradantes. Imagens anexadas à investigação mostram crianças em estado de sonolência acentuada.
Para o Ministério Público, além dos indícios de autoria e materialidade, há risco à instrução criminal, já que as investigadas teriam tentado influenciar testemunhas. O pedido de prisão preventiva foi acolhido pela Justiça.
O coordenador estadual do GAECO, promotor Rogério Meirelles Caldas, afirmou que o grupo atuou para reforçar a coleta de provas e dar suporte técnico à investigação.
As suspeitas poderão responder por lesão corporal e por crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente. Também é investigada a possível prática do crime de tortura.










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